Medicação11 min de leitura
Como funcionam os medicamentos GLP-1 para perder peso: um guia em linguagem simples
O que fazem os medicamentos GLP-1 e duplos GIP/GLP-1 no organismo, para quem os médicos costumam considerá-los, o que mediram os grandes ensaios e porque são vistos como cuidado a longo prazo.

RESPOSTA DIRETA
Uma consulta online permite que um médico licenciado na UE analise o seu caso e, se for adequado, emita uma receita válida em toda a UE.
Resposta do médico em menos de 2 horas
Resposta média do médico em menos de 2 horas; receita em 24 horas se for aprovada.
Médicos licenciados na UE
Cada caso é analisado por um profissional de saúde licenciado.
Válida em toda a UE
As receitas aprovadas podem ser usadas em qualquer farmácia da UE.
COMO FUNCIONA
Da consulta ao levantamento
- 1
Consulta
Responda online a um questionário médico seguro.
- 2
Análise médica
Um médico licenciado na UE avalia pessoalmente o seu caso.
- 3
Receita em menos de 2 horas, em média
Se for aprovada, a receita é emitida em menos de 2 horas, em média.
- 4
Levantamento em qualquer farmácia da UE
Use a receita aprovada numa farmácia em qualquer lugar da UE.
Pontos-chave - Os medicamentos à base de GLP-1 imitam uma hormona do intestino que avisa o cérebro de que já comeu, pelo que a fome diminui e a saciedade chega mais cedo. - Nos grandes ensaios, a perda de peso média foi de cerca de 15% a 21% ao longo de 68 a 72 semanas (cerca de 16 meses), a par de conselhos sobre alimentação e atividade física, com grandes diferenças entre pessoas. - Costumam ser considerados em adultos com IMC igual ou superior a 30, ou com IMC inferior e uma doença associada ao peso, e só depois de avaliação médica. - Os efeitos secundários no estômago e no intestino são frequentes, sobretudo quando a dose aumenta, e costumam atenuar-se com o tempo. - Estes medicamentos funcionam enquanto são tomados. Em média, as pessoas recuperam grande parte do peso perdido depois de os suspender, por isso são tratados como cuidado a longo prazo.
Na Docalo, um médico habilitado avalia a sua saúde e cria consigo um plano para o seu peso.
Talvez tenha ouvido falar muito de medicamentos GLP-1 nos últimos tempos, por amigos, notícias ou redes sociais. Parte do que se diz é correto, parte não é, e nem sempre é fácil distinguir.
Este guia explica, em linguagem simples, o que estes medicamentos fazem no organismo, para quem os médicos costumam considerá-los, o que os grandes ensaios realmente mediram e quais são os efeitos secundários mais comuns. É informação geral, não uma recomendação: saber se um medicamento é adequado para si é uma decisão que cabe a um médico que conheça a sua saúde.
O que é o GLP-1 e o que copiam estes medicamentos?
O GLP-1 (péptido semelhante ao glucagon do tipo 1) é uma hormona que o intestino liberta depois de comer. É um dos vários sinais que dizem ao cérebro que chegou comida. O GLP-1 natural dura apenas alguns minutos no sangue antes de ser degradado.
Os medicamentos à base de GLP-1 são concebidos para atuar como esta hormona, mas durante muito mais tempo, de modo que o sinal fica ativo durante dias e não minutos. Alguns são administrados por injeção uma vez por semana, outros diariamente. Um grupo mais recente, os medicamentos duplos GIP/GLP-1, imita também uma segunda hormona intestinal, o GIP (polipéptido insulinotrópico dependente da glicose), que atua em conjunto com o GLP-1 no apetite e na glicemia.
O que fazem estes medicamentos no organismo
Os efeitos distribuem-se por vários órgãos. A tabela dá uma imagem simplificada.
| Onde | O que acontece | O que pode notar |
|---|---|---|
| Cérebro (centros do apetite) | Os sinais de fome baixam e os de saciedade aumentam | Porções mais pequenas parecem suficientes, menos desejos intensos, menos pensamentos constantes sobre comida ("food noise") |
| Estômago | Os alimentos saem do estômago mais lentamente, sobretudo no início | Sensação de saciedade mais prolongada, por vezes náuseas ou enfartamento precoce |
| Pâncreas | É libertada mais insulina quando a glicemia está alta e menos glucagon | Glicemia mais estável depois das refeições |
| Vias de recompensa | Para algumas pessoas, a comida pode dar menos prazer | Menos atração por alimentos muito gordos ou doces |
A principal razão pela qual o peso desce é simples: as pessoas comem menos porque sentem menos fome. O medicamento não "derrete a gordura" nem acelera o metabolismo. É por isso que a qualidade do que se come, em especial as proteínas, continua a ser muito importante.
Para quem são habitualmente considerados?
Nos principais ensaios sobre obesidade, os participantes eram adultos com índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30, ou igual ou superior a 27 com pelo menos um problema de saúde associado ao peso, como tensão arterial alta, colesterol elevado ou apneia do sono. A autorização na Europa segue linhas semelhantes. Pode verificar o seu IMC na calculadora de IMC, tendo presente que o IMC é apenas um ponto de partida.
As normas de orientação clínica acrescentam mais pormenor. A norma NICE sobre excesso de peso e obesidade indica que os medicamentos devem ser usados a par de uma dieta hipocalórica e de mais atividade física, e não em vez delas. As avaliações da NICE de um medicamento GLP-1 semanal e de um medicamento duplo GIP/GLP-1 estabelecem critérios mais rigorosos para o financiamento pelo NHS em Inglaterra, centrando-se em geral em pessoas com IMC mais elevado e pelo menos uma doença associada ao peso, com limiares de IMC mais baixos para algumas origens étnicas em que os riscos para a saúde aumentam com pesos menores. As regras variam entre países e mudam com o tempo.
A medicação não é adequada para toda a gente. O médico costuma perguntar sobre:
- Gravidez, amamentação ou planos de engravidar. Estes medicamentos não são usados na gravidez.
- Pancreatite ou problemas da vesícula biliar no passado. Requerem uma conversa cuidadosa.
- Outros medicamentos. Alguns interagem, e o médico perguntará também sobre contraceção.
- Perturbações do comportamento alimentar. Um historial de restrição alimentar exige uma conversa diferente.
- Os seus objetivos e expectativas. A medicação é uma ferramenta, não o plano todo.
Se for clinicamente adequado, o médico pode prescrever um medicamento à base de GLP-1 como parte de um plano mais amplo. Se não for, há outras opções que vale a pena discutir.
O que mediram os principais ensaios
A evidência provém sobretudo de três grandes ensaios controlados por placebo. No STEP 1 e no SURMOUNT-1, todos os participantes receberam também aconselhamento sobre alimentação e atividade física.
| Ensaio | Quem participou | Duração | Resultado médio |
|---|---|---|---|
| STEP 1 | 1.961 adultos com excesso de peso ou obesidade, sem diabetes | 68 semanas | O peso desceu 14,9% com um medicamento GLP-1 semanal vs 2,4% com placebo |
| SURMOUNT-1 | 2.539 adultos com excesso de peso ou obesidade, sem diabetes | 72 semanas | O peso desceu entre 15,0% e 20,9% com um medicamento duplo GIP/GLP-1 (consoante a dose) vs 3,1% com placebo |
| SELECT | 17.604 adultos com excesso de peso ou obesidade e doença cardíaca já existente, sem diabetes | Cerca de 3 anos, em média | Eventos cardíacos graves (enfarte do miocárdio, AVC, morte de causa cardiovascular) em 6,5% vs 8,0% com placebo |
Como interpretar estes números
- São médias. Em todos os ensaios, algumas pessoas perderam muito mais e outras perderam pouco. Uma minoria não teve uma resposta significativa.
- As condições de um ensaio não são a vida real. Os participantes tinham consultas regulares e apoio estruturado, o que pode não corresponder aos cuidados do dia a dia.
- O SELECT mediu outra coisa. Analisou eventos cardíacos em pessoas que já tinham doença cardíaca. Corresponde a uma redução relativa de 20%, o que é importante, mas não significa que todas as pessoas que tomam um medicamento GLP-1 tenham o mesmo benefício.
- Os dados a longo prazo continuam a crescer. A maioria dos ensaios durou entre um e três anos. Por isso, os médicos continuam a acompanhar as pessoas em tratamento.
Efeitos secundários mais comuns
A maioria dos efeitos secundários afeta o estômago e o intestino: náuseas, diarreia, obstipação, vómitos, refluxo e inchaço abdominal. Nos ensaios, foram geralmente ligeiros a moderados, mais frequentes quando a dose estava a ser aumentada, e tenderam a atenuar-se nas semanas seguintes. Uma revisão prática sobre a gestão dos efeitos secundários recomenda começar com uma dose baixa, aumentá-la devagar e ajustar a forma de comer.
É por isso que o tratamento começa normalmente com uma dose baixa e sobe a cada poucas semanas. O nosso guia sobre náuseas e efeitos secundários digestivos reúne dicas práticas e os sintomas que exigem cuidados urgentes, como dor abdominal intensa e persistente. O nosso guia sobre como comer bem durante o tratamento com GLP-1 explica como obter nutrição suficiente quando o apetite está reduzido.
Porque é que o apoio ao estilo de vida continua a ser importante
A medicação altera a fome que se sente, mas não escolhe os alimentos nem faz o corpo mexer-se. O apoio ao estilo de vida ajuda de três formas:
- Proteger o músculo. Parte do peso perdido com qualquer tratamento é massa magra. Proteína suficiente e treino de força regular ajudam a limitar essa perda. Veja o nosso guia sobre como proteger o músculo durante a perda de peso.
- Sentir-se bem durante o tratamento. Refeições mais pequenas, líquidos e fibra em quantidade suficiente reduzem os efeitos secundários.
- Criar hábitos que perduram. As rotinas formadas enquanto o apetite está mais calmo facilitam a manutenção mais tarde.
Porque é que são tratamentos de longo prazo
A obesidade é uma doença crónica. Quando o peso desce, o corpo aumenta a fome e reduz o gasto de energia para tentar recuperá-lo. Os medicamentos à base de GLP-1 contrariam essa pressão enquanto são tomados, e o efeito desvanece-se depois de serem suspensos.
Nos ensaios aleatorizados que passaram alguns participantes para um placebo, e numa extensão de ensaio que acompanhou pessoas depois de pararem tanto o medicamento como um programa de estilo de vida, em média uma grande parte do peso perdido voltou no prazo de um ano. O nosso artigo sobre recuperação do peso depois de parar o tratamento explica esses resultados e como planear com o médico. Para muitas pessoas, isto significa que o tratamento é reavaliado regularmente e mantido enquanto os benefícios superarem os inconvenientes, à semelhança da medicação para a tensão arterial.
Como a Docalo pode ajudar
A Docalo é um serviço médico online dedicado apenas à perda de peso. A subscrição de 49 €/mês inclui a consulta médica, um plano pessoal e o acompanhamento. Um médico licenciado analisa o seu questionário de saúde e decide se o tratamento é adequado para si. Se for prescrita medicação, é paga à parte na farmácia. Pode iniciar a sua consulta.
Uma subscrição Docalo inclui a avaliação médica, um plano pessoal, acompanhamento mensal e mensagens. A medicação, se for prescrita, é paga à parte na farmácia.
PERGUNTAS COMUNS
Perguntas frequentes
Não. Funcionam sobretudo reduzindo a fome e ajudando a sentir saciedade mais cedo, pelo que se come menos de forma natural. O peso desce porque a ingestão de energia diminui. Não aumentam o metabolismo nem atuam diretamente na gordura, e é por isso que a proteína, o treino de força e a qualidade global da alimentação continuam a ser importantes durante o tratamento.
Referências
- Wilding JPH et al. The STEP 1 trial. N Engl J Med 2021;384:989-1002.
- Jastreboff AM et al. The SURMOUNT-1 trial. N Engl J Med 2022;387:205-16.
- Lincoff AM et al. The SELECT trial. N Engl J Med 2023;389:2221-32.
- NICE guideline NG246: Overweight and obesity management. 2025.
- NICE technology appraisal TA875: weekly GLP-1 medicine for managing overweight and obesity.
- NICE technology appraisal TA1026: dual GIP/GLP-1 medicine for managing overweight and obesity.
- Wharton S et al. Managing the gastrointestinal side effects of GLP-1 receptor agonists in obesity. Postgrad Med 2022;134:14-19.





